O futuro das ligas privadas e a escolha de clubes e atletas

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Moderador: Nuno Miguel

O futuro das ligas privadas e a escolha de clubes e atletas

Mensagempor master » 16/Jul/2009, 02:21

Meus Caros:

Passado algum tempo de reflexão, venho colocar os meus pensamentos neste fórum. O assunto que vou falar, as ligas privadas, será por mim abordado neste e apenas neste post. Não mais voltarei a tocar no assunto pois não quero alimentar guerras estéreis.

Como tenho tido algumas responsabilidades no pool nos últimos tempos, e em princípio continuarei a ter, julgo que a minha opinião é relevante e serei escutado por muitos. Então cá vai:

1 - Quando o Nuno Bernardes, que aqui tem assumido o papel de defensor das ligas privadas (ao contrário de muitos que não opinam para se esconderem atrás do anonimato...) diz que "concorda que os jogadores escolham" mas não lhe parece certo que se "limite os jogadores na sua escolha com anúncio de castigos a quem jogar noutras ligas ou simplesmente num open", não está a entender os porquês das decisões que irão ser tomadas. Ninguém nunca disse que o os jogadores só poderão jogar em open’s organizados pela FPB.
O que foi dito é que as entidades que organizam open’s têm de ser reconhecidas pela FPB, homologadas, aceites as datas dos open’s para não chocarem com o calendário oficial e pago o respectivo fee à FPB. A explicação disto é simples: a FPB, como entidade reconhecida pelo estado, só poderá homologar instituições, clubes ou empresas que cumpram os seus deveres com o estado, nomeadamente a nível de impostos, segurança social, etc.
Chama-se a isto a real concorrência, e não a concorrência desleal que muitos querem. Porque se a FPB tem de cumprir todas as exigências os outros também têm. O que tem acontecido até hoje é que só a federação cumpre. Como os outros não cumprem, as ligas privadas têm sempre melhor oferta. Ora isto necessariamente tem de acabar. Parece-me justo e lógico. Situação semelhante acontece com os casinos e as salas de jogo ilegais. Como têm visto, nos últimos anos a polícia tem sido implacável, nomeadamente com os locais que organizam competições ilegais de poker...

2 - Quanto às ligas, ou campeonatos se quiserem chamar, a situação é completamente diferente dos opens. Dou um exemplo: experimentem organizar, com um grupo de amigos, uma liga de futebol e verão o que a FPF irá fazer. Caso não saibam, a FPB é a única instituição que pode organizar campeonatos regulares (com rankings, classificações, apuramentos, etc...) em território nacional. É a Lei que diz isso, e cabe ao estado através das autoridades competentes fazer cumprir a Lei. Basta estar atento ao fenómeno desportivo e perceber que isso tem sido a guerra entre a UEFA e o G14. Caso façam a Superliga Europeia os clubes não jogarão as provas da UEFA e os seus atletas serão impedidos de jogar nas selecções. É simples.

3 - A FPB pode e deve, no futuro, impedir os seus atletas de jogarem em competições não homologadas. Ou acham que o Benfica, Sporting, Porto ou outros poderão, paralelamente à 1.ª liga, jogar outra competição que não seja reconhecida pela FPF. Ou acham que, por exemplo, os torneios de pré-temporada não têm de ser homologados pela FPF, a qual ainda fornece os árbitros para os mesmos. Isto acontece na FPF e em todas as federações minimamente organizadas. Se até hoje não aconteceu na FPB a questão é outra. Mas talvez a FPB nunca tenha tido condições para o fazer. Amanhã terá e, por mim, irá fazê-lo.

4 - É impensável falar-se em justiça quando nem todos jogam pelas mesmas regras. Agora, que têm saído as bases das ligas privadas (FPPPA e LPP), com boas condições no que respeita a prémios, pergunto: caso seja cumprida a legislação no que toca a recibos dos prémios, retenção na fonte, iva, irs ou irc, os prémios mantêm-se???? Julgo que não, a não ser que haja algum filantropo que considere seriamente investir toda a sua fortuna no pool. Como não me parece que tal caso venha a suceder, o que avalio é que com as mesmas regras os prémios da FPB terão de ser necessariamente melhores, uma vez que não há qualquer vertente empresarial numa federação. Caso não sejam o que os atletas desejam, terão de entender que a dispersão de jogadores conduziu a isso e que uma federação é obrigada, segundo a lei, a cumprir alguns pressupostos, tais como investir na formação, nas competições femininas (normalmente deficitárias), ajudar a combater o isolamento do interior do país, diminuir os problemas relativos à insularidade (Madeira e Açores) e tratar todos de igual forma, apesar das disparidades da capacidade financeira de cada um (daí os preços acessíveis dos campeonatos nacionais e taças de Portugal com natural prejuízo para os prémios a oferecer nestas competições).

5 - Quanto à questão dos atletas de topo, para que saibam compete a uma federação investir em atletas que possam representar condignamente o país em competições internacionais. Independentemente de concordarem ou não, esta é uma regra base e, para uma pessoa minimamente esclarecida e de boa fé, é fácil entender o porquê: com atletas de destaque conseguimos chegar mais facilmente aos meios de comunicação social e, por sua vez, aos ambicionados patrocinadores. Ou acham que o Triatlo em Portugal seria o que é hoje se não houvesse uma Vanessa Fernandes, ou o Judo sem o Nuno Delgado e a Telma Monteiro. Imaginem quanto é que esses atletas já deram a ganhar em dinheiro e projecção às suas federações. Exemplos desses há muitos, Lopes, Mamede, Selecção de Hóquei, Figo, Ronaldo, etc., etc., etc.

6 - Quanto ao que resta para o futuro, e visto que a FPB está num ano de arranque de um novo projecto, projecto esse que obviamente acredito, a escolha é simples: quem está connosco terá este ano todas as condições para partir do 0 em condições de igualdade. Nos anos seguintes, jogadores e clubes que se juntem à Federação iniciarão a partir dos escalões de base e terão de fazer a travessia no deserto até chegar ao topo. Digo isto pois foi dito nas sessões de esclarecimento que as classificações da próxima época irão gerar as divisões para a próxima, e isso aplica-se a todas as variantes: Pool de 7 pés, Pool Português, Pool de 9 pés, Snooker.

7 - Quanto aos responsáveis de ligas privadas que não aceitem os termos, a escolha é simples. Como foi dito, a ideia do futuro passa por criar Comissões Desportivas Distritais, que por sua vez irão originar Comissões Instaladoras e consequentemente irão gerar as futuras Associações Distritais. Como, com excepção da Pro Pool, não conheço nenhuma liga privada de âmbito nacional (são todas locais ou regionais), os seus responsáveis podem (e devem quanto a mim) integrar as futuras Comissões Desportivas Distritais. Desta forma, quando as Associações Distritais estiverem formadas e forem reconhecidas pela FPB, poderão integrar os seus projectos à escala regional e local, uma vez que, como foi dito, as Associações podem e devem ter competições próprias realizadas no seu território.

8 - Para concluir, uma coisa é certa. Cabe sempre aos jogadores escolher. A partir do dia 1 de Setembro saberão como se irá organizar (prémios, inscrições, calendário, etc.) a FPB nas suas diversas variantes. Os que até lá se inscreverem nas ligas privadas poderão ter de fazer uma escolha depois. Como vivemos num país democrático, cada um pode escolher. Porém, depois de feita a escolha terão de acartar com os efeitos positivos e negativos da mesma. Sem querer dar conselhos, penso que o sensato seria esperar pelo próximo mês de Setembro e aí, com todos os dados em cima da mesa, escolher livremente. Só peço que, amanhã, quando a FPB zelar pelos seus interesses, sejam eles quais forem desde que estejam assentes na Lei, não venham dizer que não foram avisados ou que a federação está contra os atletas e a modalidade.

Penso que me fiz entender. Caso tenham dúvidas mandem-me um mail que responderei em privado a todos uma vez que, como disse, não voltarei a abordar este assunto em público. Somos todos homens e mulheres crescidos, maiores de idade, e não podemos nem devemos estar à espera que outros decidam por nós ou "emprenhar pelas orelhas". Não se assustem com boatos ou difamações. Não, não queremos acabar com o Pool Português. Não, não queremos apenas promover os jogadores de topo. Não, não estamos a fazer nenhum negócio da china com mesas ou com a Pro Pool. Não, não vamos sobrepor a carambola ao pool. Isso são mensagens que passam para denegrir um projecto que, como muitos já se aperceberam, irá acabar com muitos "poolodependentes" e caciques locais. Esse é o problema dessa gente.

Eu, da minha parte e da parte da Pro Pool, já fiz a minha escolha. Cabe a vocês fazerem a vossa!
Miguel Sancho

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